Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

80 ANOS

Para quem fica em Porto Alegre durante a semana, pelo menos, vale a pena conferir. Está rolando uma exposição bem legal na Usina do Gasômetro, em homenagem aos 80 anos de sua existência. Nos painéis explicativos há uma sequência de fatos curiosos retirados do jornal Correio do Povo, na época. Um deles é que a Usina começou a operar 4 dias depois do que se pensava: foi no dia 15 de novembro de 1928, e não dia 11.

Outro dado curioso é que a chaminé - de 101 metros de altura - foi erguida no governo de Alberto Bins - ano de 1937 - a fim de resolver o problema da fuligem, que através da queima do carvão escurecia os telhados vizinhos. À época, a chaminé da Usina era a mais alta da América Latina, utilizando-se de um revestimento interno de tijolos refratários vitrificados.

Lá pelo governo do Collares ainda, a Usina do Gasômetro chegou a virar escola. Caminhões pipa do DMLU ficaram encarregados de lavar os dez anos de abandono a que o predio foi sujeito. Com reformas no edifício e professores contratados, o governo seguinte se encarregou de parar o processo e iniciar um novo projeto - o "espaço cultural do trabalho".

As fotos não são menos peculiares. Leonel Brizola, Alceu Collares e Olívio Dutra em ocasiões e momentos bem distintos da Usina. Tire suas próprias conclusões quando conferir. Há uma imagem, bem no início da exposição, onde mostra o estaleiro (Ilha da Pintada) funcionando a pleno vapor. É pequeno detalhe da fotografia, tem que estar atento.

Quando se cogitou a demolição do prédio, as sábias palavras "A cidade que vira as costas para o que lhe deu energia, não merece o nome que tem", (desculpa, mas não lembro o nome da mulher) devem ter caído como um balde de água fria. Enfim, não se ouviu mais em demolição da Usina, sendo tombada pelo Estado em 1982.

Por final, a parte que mais gostei da exposição foi a caminhada entre os fornos gigantes onde era queimado o carvão, ainda no tempo de termelétrica. Em menos de 30 minutinhos dá pra ler tudo e dar uma olhadinha nas fotos. Parabéns, Usina do Gasômetro! 80 anos não é pra qualquer um.

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

FAVOR NÃO ESPALHAR!

Alguns conhecidos já me perguntavam sobre A Crise - assim mesmo com letra maiúscula, quando ainda residia nos Estados Unidos. Após retornar ao país do 'mensalão' e do maracatu, mais e mais pessoas me questionaram a respeito do assunto, largamente discutido nos telejornais brasileiros.

Minha resposta foi - na maioria das vezes - sempre igual. Re: "Que crise?" - assim mesmo com letra minúscula. Não sou alienado nem ignorante, sei muito bem do que todos falvam e que queriam ouvir uma opinião de alguém de dentro. Alguém que estivesse vivendo de forma mais intensa e mais de perto aquilo tudo o que se falava nos telejornais por aqui. Ouvir alguém que estivesse lá onde tudo começou(?).

Minha resposta transmitia exatamente o sentimento de um trabalhador que - sozinho - não movimentava de forma significativa a economia, portanto - sozinho - não sentiria seus efeitos. O fato é que os alimentos continuaram com o mesmo preço, as roupas não mudaram em nada, os eletro-eletrônicos não sofreram 0,1% de aumento sequer e a gasolina subiu de preço. Quando cheguei na California - final de março - o galão (3.78 lts) de gasolina estava, em geral, sendo negociado a US$ 2.10. No auge do verão - já em constante aumento - o galão chegou a custar US$ 5.29, atingindo o preço mais alto da história dos Estados Unidos. Nunca havia ocorrido algo do gênero, seria o fim do mundo se aproximando, todos iriam a falência, pois dirigir carros carros populares com 8 cilindros seria inviável.

Logicamente, não seria viável continuar com o preço da gasolina tão elevado. Pois bem, o verão passou, as férias acabaram, os turistas foram embora e parece que o preço do combustível - literalmente - caiu na real. Em novembro, mês em que decidi viajar pelo tão belo Estado da California, o galão de derivado do famoso "ouro negro" estava sendo cotado a míseros US$ 1.99. Há três dias, liguei para um amigo que mora em Los Angeles, que após 2 horas de conversa - sem exagero - me pediu para adivinhar quanto estaria sendo cotada a gasolina por lá. Acreditei que ainda rondava a casa dos US$ 2. Engano meu, em Los Angeles compram-se 3.78 litros de gasolina pela bagatela de US$ 1.68. E adivinhem, o mundo ainda continua de pé por lá...

Será que alguém ganhou dinheiro com isso? (Risadas.) Sem sombra de dúvida. O preço realmente subiu, ou fizeram o preço subir? Acredito na segunda opção. De repente foi a Toyota/Lexus querendo colocar mais Prius no mercado. De repente foi algo muito maior que isso e eu ainda nem consegui imaginar. O que se tira dessa situação toda é muito aprendizado - e alguns, muito dinheiro dos outros.

Em tempos de soberania ou crise econômica, há quem ganhe e quem perca dinheiro. Até hoje, não se viu alguém ficar rico simplesmente juntando seu próprio dinheiro. Isso não existe. O que se viu é alguém ficar rico por juntar dinheiro dos outros e guardar para si. Estou dizendo que no mercado, não há como todo mundo perder. Para alguém ganhar, alguém perde. Para alguém perder, outra pessoa há de ganhar. É assim que funciona: o dinheiro se movimenta de mão em mão, sem pertencer a alguém, apenas encontrando-se disponível para ser utilizado em determinado momento, por determinada pessoa. O dinheiro não se desmaterializa.

Será que alguém ganha dinheiro com a 'crise - global - atual'? Já falei que sim... Para alguns estarem em crise, outros hão de estar nos melhores momentos de seus históricos financeiros. As emissoras (brasileiras) de televisão apenas bombardeam seus telespectadores com "a crise dos alimentos", "a crise dos minérios", "a crise dos abajures" e a "crise dos parafusos de 1/4 de polegada" - que está por estourar - pois a diferença atual da quantidade de pessoas que ganha e perde é muito grande. Há 'muita' gente perdendo, para 'pouca' gente ganhando.

Concluindo, as 'crises' levam esse nome justamente por quê são passageiras. Elas têm um fim, todas acabam. Ocorrem de tempos em tempos, são cíclicas e até o dia em que houver uma pessoa querendo ter mais dinheiro que já possui, continuarão a existir. Para quem está no meio de uma crise, o mundo pode parecer acabar no dia seguinte, cada segundo do dia passa mais devagar e a sensibilidade à notícias e informações fica mais alta. Não há como negar. Como qualquer outra, a atual crise deixará marcas, mas a notícia boa é que ela vai passar... Nunca esquecendo que outras virão.

Sábado, 13 de Dezembro de 2008

HIDDEN

Esse aí é o restaurante para o qual eu trabalhava em Santa Monica, CA. A maioria dos figurantes são funcionários...

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

PARAÍSO

Momentos são momentos. Outro dia li da minha amiga Ju o seguinte dizer:

"I still believe in paradise, but now at least I know it's not some place you can look for. 'Cause it's not where you go, it's how you feel for a moment in your life and if you find that moment it lasts forever".

Resumindo, o paraíso não é um lugar mas sim um momento. California é um estado de muita beleza natural e inúmeras áreas de proteção ambiental. Pôr-do-sol à beira do Pacífico, incontáveis praias dotadas de muita infra-estrutura, parques estaduais em meio às montanhas, neve, lagos maravilhosos, pessoas bonitas e educadas. Apesar de ter percorrido a Pacific Coast Highway - rodovia que percorre quase toda costa californiana - de Santa Monica a San Francisco e de ter deparado com paisagens de tirar o fôlego, não foram somente os lugares que fizeram daquilo os tantos "paraísos".

Uma combinação de fatores me fizeram chegar ao paraísos por muitas e muitas vezes durante a viagem. Algumas vezes a trilha sonora fazia a diferenca, por vezes a companhia. Por exemplo, nada como percorrer a Sunset Blvd. ou a Santa Monica Blvd. em direção a Hollywood escutando "LA Woman" do The Doors. A ocasião que lembro bem foi logo que comecei a entrar em San Francisco - dia 18 de Novembro de 2008 - tempo fechado com cara de Serra Gaúcha, nevoeiro encobrindo as principais partes da cidade, e avistei a primeira placa apontando para a Golden Gate Bridge.


No som do carro estava comecando a tocar "Warehouse" do Dave Matthews. Detalhe: versão ao vivo de NYC, direto do Central Park. Vidros abertos, nevoeiro baixando a temperatura, eu nem sabia que estava fazendo a última curva antes de chegar pela primeira vez na ponte! Atravessar a ponte pela primeira vez, ouvindo essa música, com os vidros abertos e todos os fatores que cercavam a ocasião fizeram desse momento um dos "paraísos" dessa viagem. De arrepiar!


Tomando um café da Starbucks - que falta faz o cinnamon dolce latte de todos os dias! - certa vez li a seguinte inscrição no copo:

"I used to think that going to the jungle made my life an adventure. However, after years of unusual work in exotic places, I realize that it is not how far off I go or how deep into the forest I walk that gives my life meaning. I see that living life fully is what makes life - anyone's life, no matter where they do or do not go - an adventure."
-- Maria Fadiman
Geographer, ethnobotanist and National Geographic Emerging Explorer.

Não acredito que seja só o momento ou o lugar somente. Uma boa mistura dos dois, com uma pitada de diversos fatores, nos fazem chegar ao paraíso por diversas vezes na vida.

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

FÉRIAS

Depois de quase um ano de trabalho, resolvi tirar férias. Duas semaninhas aqui, mais duas semaninhas no Brasil não faz mal a ninguém. Na primeira semana finalmente conheci San Francisco e South Lake Tahoe. Vou começar pelo fim, essa foi uma partezinha da volta para Los Angeles pela US 395 - dica da Úrsula! Penhascos gigantescos e visuais de deixar qualquer um de boca aberta fizeram parte do trajeto por muito tempo, antes de se aproximar do sul do Estado.
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Uma vez me disseram que a neve molha. Foi testado e aprovado, neve molha. Na foto acima a neve ensopou meus tênis! E o urso ficou pra próxima. Assim como neve em grande quantidade. Lugarzinho pra passar bem mais tempo.

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

RECOMPENSA

Depois de dois dias terrivelmente nublados e de cara feia, vem a recompensa...

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

ON THE WAY TO WORK

Esse é o árduo caminho de todos dias para o trabalho. Entre o pier de Santa Monica e Malibu. O lugar é a poucos metros da minha casa.

Sábado, 8 de Novembro de 2008

LAKERS

Noite passada foi bacana (06-11-2008). Festa do Vladi Radmanovic (Lakers) lá no restaurante. Ele tem uma fundacão que ajuda crianças aqui em Los Angeles e na Croácia, e na ocasião estava angariando fundos para tal...

Muitos jogadores pintaram por lá como o Kobe Bryant, Pau Gasol - o primeiro cara que se abaixou pra passar pela porta do office, Sasha Vujacic, Radmanovic - obviamente, Josh Powell e a grande atração da noite: Lamar Odom. O Lamar.

O clima da noite estava impressionantemente bom. Estavam todos felizes e prontos para se divertir. Pareciam ter deixado os problemas em algum lugar escondido. Foram todos brincalhões, piadistas e muito simpáticos quanto às fotos.

Quem quiser conferir o 'advertisement' do jantar é só clicar aqui. As 'Laker Girls' apareceram também, mas todas de abrigo do time. Fizeram o social e foram embora em menos de uma hora.

Hoje foi legal também. Me pechei com a Peta Wilson (La Femme Nikita) por dentro do restaurante. Vejam só que mundo pequeno, mais uma vez... Ela até largou um "oh, you're still around" com um sotaque quase que britânico:

Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

WILL ROGERS PARK

O Google veio para ficar. Um dia estava de bobeira na internet, vendo uns lugares no Google Earth. Coloquei o mapa na minha atual residência e enquanto foi aproximando, cuidei umas montanhas ao norte, relativamente próximas.

Xereta é xereta, não adianta. Arrumei a magrela - se alguém lembra, quando cheguei aqui em Los Angeles, fui seguidas vezes a Palos Verdes, extremo sul de LA - e me toquei para as tais das montanhas.
Essa foi a primeira vez. Já se aproximava das 05:30, peguei um pôr-do-sol muito bonito, mas não pude explorar o local. Depois de uma breve pesquisa, descobri que esse monte de montanhas é hoje o Will Rogers State Park.

Will Rogers já foi um conhecido comediante e também o ator mais bem pago de Hollywood, há algumas décadas... As terras eram dele, quando morreu, o governo tomou conta. Hoje estava de day off, depois de algum tempo já, e não hesitei em pegar a magrela novamente e passar a tarde por lá, tirando fotos - e por que não um hiking também?

Arrumei a mochila - isso inclui máquina, três lentes, tripé, garrafinha de água, três barras de proteína, iPod (id a+volta) e GPS - peguei a bicicleta e parti rumo ao lugar.

Já sabia o caminho, a Sunset Blvd seria a maior parte do trecho (o Google calcula pouco mais de 4 milhas da minha casa).

Cheguei lá, não paguei nada para entrar - mesmo não achando certo - pois só é cobrada entrada para automóveis. Fui logo amarrando a magrela no estacionamento e parti para o hiking no parque.

As trilhas são inúmeras lá dentro. A mais barbada de todas elas é a do "Inspiration Point", cujo nome reflete muito do que o lugar proporciona. É um dos pontos mais altos da região, permitindo uma visão total de Downtown LA, East LA, Santa Monica, Marina del Rey, Venice, Culver City, Santa Monica, LAX e acreditem, toda a South Bay.

Num dia com visibilidade boa, creio que seja possível observar as falésias de Palos Verdes. O lugar é demais, nunca havia tido essa visão da cidade, parece muito menor do que realmente é.

Xereta é xereta, e não adianta mesmo. Vai fazer o quê? Encontrei no Google, antes de sair de casa, algumas fotos de uma tal "Backbone trail".

Parecia meio distante desse "Inspiration Point", mas vamos lá, estamos aí pra isso. Dessci para a trilha principal, até achar a "Backbone". Logo no início umas plaquinhas de aviso pedem cuidado com o tal "mountain lion", que são conhecidos por atacar sem aviso. Beleza, vamos fazer a trilha com emoção então. Não cheguei a fazer contato com ele. Legal, a trilha é comprida, não cheguei ao final - não sei se estava longe ou perto - porque o sol estava prestes a se pôr...
Pensei, continuo nessa trilha ou paro por aqui, tiro fotos e volto pra casa com segurança? Optei pela parte das fotos.

Esse parque vai receber uma terceira visita minha ainda, antes de partir. Pretendo chegar lá numa dia bem cedinho e passar o dia inteiro fazendo as trilhas, parece que tem uma que vai até Topanga. Pouca coisa pro norte.

O tempo livre está cada vez sendo mais valorizado e esses passeios fazendo muito sentido. Cansei, são mais de 8 milhas só na ida e volta de bicicleta, sendo que as montanhas são a quase 400 metros do nível do mar. Mas voltei com a máquina cheia de fotos. E assim foi o fim do dia, com esse pôr-do-sol, o oceano se confundindo com o horizonte.

Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

STRELITZIA

Essa aí fica em Santa Monica, parte alta da cidade, onde a Pacific Coast Highway (Interstate 1) encontra o mar novamente... A vista é maravilhosa, o pôr-do-sol é inigualável - estou pagando para ver um mais legal - e o melhor de tudo: fica a 02 minutos de casa. Aquela parte azul lá atrás é o Pacífico, mirando para a South Bay e Palos Verdes, mais os sul.
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Obs: já está dando saudade... Por falar nisso, "saudade" é uma das palavras que não permite tradução literal para o inglês.